1 de fev. de 2017

Detentos evangélicos de Alcaçuz foram assassinados com a bíblia em mãos


O conflito entre as facções rivais no presídio de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, completou 15 dias. E ainda continua deixando marcas de violência combinadas com a incompetência das autoridades da área de segurança em administrar os presídios. De acordo com informações do portal G1, toda a motivação pela onda de rebeliões teria partido do PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa responsável por comandar presídios das regiões sudeste do Brasil. Na maioria das vezes, os detentos comuns são obrigados a entrar para o PCC, onde pagam uma taxa mensal de afiliação para receber proteção do grupo, entre outros benefícios.

Nos últimos anos, as facções tentam obter o maior número de membros. Tendo as casas prisionais como o maior meio de recrutamento de novos membros, quanto maior for o presídio, maiores são as chances de recrutamento. De acordo com especialistas, cada organização criminosa busca obter o domínio do presídio. E após o feito, os líderes das facções exigem dos governos estaduais a transferência de detentos de facções rivais. Com essa medida, a facção dominante poderá fazer novos recrutamentos, sem enfrentar concorrência.

No último dia (18), o governo do Rio Grande do Norte, determinou a transferência de 220 membros do Sindicato do RN, os quais foram transferidos de Alcaçuz, para outros presídios da região metropolitana de Natal. Insatisfeitos com a decisão do governo, os líderes do Sindicato, facção responsável por comandar as cadeias do Rio Grande do Norte, teriam ordenado uma série de ataques a ônibus da capital potiguar.

Uma reportagem do portal UOL cita que no último dia (14), quando membros do PCC que ocupavam o pavilhão cinco, conseguiram invadir o pavilhão quatro. Durante a invasão eles, teriam se deparado com um grupo de 150 detentos evangélicos, os quais não pertencem a nenhuma facção. No conflito, 26 presos evangélicos acabaram morrendo enquanto rezavam ajoelhados com suas bíblias em mãos. Na última sexta-feira (20), uma rebelião foi interrompida para a celebração de um culto evangélico. O culto foi realizado pelo pastor Raul Moreira, que atua na Igreja Verbo da Vida. Em 2013, o religioso havia feito o batismo de 60 detentos de Alcaçuz. #Operação Lava Jato #Política #Casos de Corrupção
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17 de jan. de 2017

Vídeo mostra clima tenso em presídio de Alcaçuz; veja



Um vídeo feito no presídio de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal, mostra o clima tenso dentro da cadeia, que registra motim pelo quarto dia seguido. No último sábado (14), a rebelião resultou na morte de 26 presos.

A imagem, que circula por grupos de policiais, mostra um homem que se apresenta como agente de segurança, aparentemente de uma das guaritas, revelando o presídio dividido em dois, com os presos do PCC (Primeiro Comando da Capital) de um lado e os do Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte, do outro. Uma rivalidade entre os dois grupos seria a razão do motim.

O homem que faz as imagens chega a dizer que os dois grupos "estão soltos" e que um confronto entre eles está prestes a acontecer. "A Polícia Militar está no meio. De vez em quando a gente atira pra não deixar acontecer o confronto, por que se tiver o confronto será morte demais", afirma o policial que faz a gravação.

 


No outro vídeo, um preso que afirma ser ligado ao Sindicato do Crime diz que o grupo acabou de tomar o pavilhão três -ele diz que já estavam no controle dos pavilhões 1 e 2- e faz ameaça aos detentos ligados ao PCC. "A gente está pronto pra guerra, doido pra arrancar cabeça de PCC, e vamos conseguir", afirma.

A maioria dos mortos no massacre ocorrido na cadeira no último sábado pertence ao Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte, facção criminosa que domina a maioria dos presídios do Estado. O Sindicato é uma dissidência do PCC surgida por volta de 2012 da qual todas vítimas faziam parte.

Mais cedo, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), afirmou que a rebelião é uma represália da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) ao massacre ocorrido em Manaus no início do ano.

Mortes

A matança ocorrida é mais um capítulo da crise penitenciária no país: é o terceiro massacre em presídios em apenas 15 dias. No total, 134 detentos já foram assassinados somente neste ano, 36% do total do ano passado, quando 372 presos foram mortos.

No dia 1º, 59 presos foram mortos no Compaj, após motim que durou 17 horas. No dia seguinte, mais quatro detentos morrem na UPP (Unidade Prisional de Puraquequara), também em Manaus. Seis dias depois, uma rebelião na cadeia de Raimundo Vidal Pessoa deixou quatro mortos.

No dia 4 de janeiro, dois presos foram mortos em rebelião na Penitenciária Romero Nóbrega, em Patos, no sertão da Paraíba. Dois dias depois, 33 presos foram mortos na maior prisão de Roraima, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista.

Na tarde da última quinta (12), dois detentos foram mortos na Casa de Custódia, conhecida como Cadeião, em Maceió (AL). O presídio, destinado a abrigar presos provisórios, fica dentro do Complexo Penitenciário, em Maceió (AL). Jonathan Marques Tavares e Alexsandro Neves Breno estavam nos módulos 1 e 2 da cadeia, respectivamente.

No mesmo dia, dois presos foram mortos em São Paulo, na Penitenciária de Tupi Paulista (a 561 km da capital paulista). A Secretaria da Administração Penitenciária informou que eles morreram durante uma briga em uma das celas.

Neste domingo (15), uma fuga na Penitenciária Estadual de Piraquara, no Paraná, deixou dois mortos. Um grupo explodiu, pelo lado de fora, um muro da penitenciária, que concentra membros da facção PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo agentes penitenciários ouvidos pela reportagem.

Já no Rio Grande do Norte, 26 detentos foram mortos, no sábado (14), na Penitenciária de Alcaçuz, região metropolitana de Natal (RN). A situação continua tensa no presídio nesta terça (17), com presos amotinados. 




Com informações da Folhapress.
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Jornal estrangeiro chama cadeias brasileiras de "buraco do inferno"

O jornal ainda fala sobre a onda de massacres realizados

A recente onda de rebeliões e chacinas em presídios brasileiros motivou o jornal britânico “Daily Mail” a chamar as cadeias nacionais de “buraco do inferno”. O jornal estrangeiro fez uma matéria sobre as precárias penitenciárias. Na matéria eles descrevem a situação insalubre e propensa a massacres em que se encontram milhares de criminosos no Brasil.

A partir de imagens do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, no Complexo Penitenciário do Bangu, a matéria descreve um cenário desumano: “internos encarcerados como sardinhas em celas úmidas, dadas a infestações de centopeias venenosas e escorpiões, e hordas de ratos que aterrorizam os prisioneiros”.

Em outro trecho, o “Mail” diz que os internos “são forçados a dormirem no chão ou em colchões surrados, e um solitário lençol de plástico é a única coisa que os protege da água da chuva”.

O jornal ainda fala sobre a onda de massacres realizados em presídios da região Norte e lembra até da declaração do presidente Michel Temer sobre as chacinas, classificadas por ele como “um terrível acidente”.

Jornal estrangeiro chama cadeias brasileiras de "buraco do inferno"

Fonte: Com informações do Metropoles
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